Leh Rodrigues

sexta-feira, 24 de março de 2017

Rivotril - Hudson Alexandre



 


Quando em algum momento em sua vida
Enfrentar uma situação incomum,
E isso parecer-lhe uma coisa vil

Quando alguém que você ama se for
E o luto parecer um eterno frio

Quando tudo em sua vida parece dar errado
E aquilo que era bom for levado como pela correnteza de rio

Quando a insônia se tornar sua companheira
E o sol clarear deixando sua noite no cio.

Quando se cansar da vida
E sua alegria for uma em mil

Quando o coração não corresponder,
Deixando a vida como que por um fio.

Quando nada fizer sentido,
Deixando no seu peito um vazio.

Quando o amor estiver longe
Ou parecer que nunca existiu.

Quando se der conta que chegou o inverno,
E que se foram as doces manhãs de seu abril.

Quando cheio de argumentos,
Não tiver direito a um pio.

Quando ser ver sozinho
E ver que seu melhor amigo desistiu.

Quando buscar ajuda do céu
E ele já não parecer tão anil.

Muito prazer meu nome é Rivotril...

A Vida Sem Você - Hudson Alexandre

A Loba - Hudson Alexandre

segunda-feira, 20 de março de 2017

Fluxo Imperfeito - Hudson Alexandre






Dias normais, sem nós
Vias centrais sem paz, 
E eu sem voz

Acredito em dias de sol,
Com uma dose
Do bom e velho sal

O céu está cinza
Como uma vida à toa,
Neste tempo de seca
Parece ser uma coisa boa

Sinto um fluxo imperfeito
Nas ondas do futuro
Na busca de um mundo melhor
Frases de efeito de gestos e defeitos
Rosas de plástico brotam ao meu redor


Fim Da Civilização - Hudson Alexandre





O que é essa convulsão?
Paixão, prurido social
A libido geral
Que nasceu tal nos acordes do rock
No mágico solo de Woodstock

Que espírito é esse
No ar suspenso e tenso?
Caos na ordem universal
Pensamento perigoso
E amoral

Que geração essa minha!
Um estado de anomalias
Que tem anseio romântico
Na terra da utopia

Que visão é essa
Que nina o mal
Na cama do bem?
E que fé comum é essa
Que tão poucos a tem?

Onde mora a dignidade
De quem vive à custa
De uma arma?
De quem o sangue
O parasita não desmama?

Por que na dita seleção natural
A sobrevivência do mais apto
Descarta o amor
Na dimensão do status?

Que juventude é essa
Que se dobra
Á sombra de Mefisto
E se ofusca com o brilho
De Jesus Cristo?

Que força
Acorrenta o bom
Para o deleito do mau
Onde no domínio da noite
Brilha o vil metal?

Que esperança é essa sua
Que de tão nua
Não se veste de fé?
Que peixe não dorme
De olho aberto
Ou que garça não dorme de pé?

Que tempo é o nosso
Onde o futuro se foi
Junto com o passado?
Tempo de avanços perfeitos
Que o torna tão ultrapassado

O mundo se revolve em demência
A ciência não beija a religião
Quando palavras escapam da boca
Mordem a língua do coração

Em que tipo de guerra
A coragem beija a covardia?
Ou que tipo de vida
É preciso remédio
Para se ter alegria?

Não há engano no progresso
É fim de civilização
Há em cena
O ensaio de um novo começo
O despertar de outra geração

Vou surfar num mar de gente
Em que o ventre regurgita
O ácido que arde em minha garganta
Vou surtar na intransigência
Da urgência que me acompanha

Portanto beije-me
Como se fosse a ultima vez
Com altivez e desejo
Beije-me com gana de vida
Como se fosse
Seu último desejo