"Sou apenas alguém comum que se atreveu a expressar espontaneamente o que vai na alma" Hudson Alexandre Rodrigues
Leh Rodrigues
sábado, 18 de março de 2017
sexta-feira, 17 de março de 2017
Onde Estão Os Vagalumes - Hudson Alexandre
Para onde
foram os vaga-lumes que iluminavam as noites da minha inocência?
Parece que
estão se apagando,
Como se
apagam os sonhos de um futuro obscuro e cego de verdade.
Onde estão
os sorrisos infantis dos meus amigos de escola,
Que
brincavam ladeando as valetas abertas do bairro,
Enquanto
escutávamos o apito do trem chegando na estação do nosso subúrbio.
Onde estão
os vaga-lumes,
Que nos
escapavam das mãos e fugiam bruxuleantes,
Levando
embora a luz dos nossos sonhos incertos,
Para
dentro daquela mata ciliar?
Onde foram
parar aquelas luzes de nossa ingênua alegria?
Aprendi
que também os chamam de pirilampos,
Esses
mesmos que sobrevoavam os campos de nossa ilusão,
A ilusão de
que seríamos felizes para sempre,
De que o
amor jamais se apagaria em nossos corações.
Onde foram
parar aqueles olhos que emitiam raios de calor,
Que
queimava nosso peito com fogo?
Pra onde
foram nossos pais,
Que se
aqueciam em torno das brasas aconchegantes de uma fogueira amiga,
Enquanto
traçavam planos,
Sonhando
com nosso amanhã e,
Gabando-se
de nossos feitos infantes?
Onde
deitaram nossos velhos,
Que no seu
tempo, viam os vaga-lumes em profusão,
Como
lanternas voadoras,
Movidas por
uma energia fria e invisível?
Onde se
encontram esses minúsculos faróis,
Que nos
ajudavam a ver a vida com mais prazer?
Pois a
víamos como se o nunca fosse agora,
Como se
fosse embora, do mesmo modo como se foram os vaga-lumes,
Para um
outro lugar, tempo ou espaço,
Onde não
os poderemos mais vê-los e nem toca-los,
Onde não
poderemos mais sentir o frio de sua luz verde de esperança.
Porque não
vejo mais os lumes dos olhos daquela que me sorria as tardinhas,
Enquanto o
sol se esvairia timidamente.
Onde estão
os vaga-lumes,
Que não
mais me rodeiam naquele cirandar de luzes esmeraldas?
Por que se
apagam tantos sorrisos durante esses dias de sol?
Como a
vida é tão injusta com aqueles que espalham cores até mais que arco-íris,
E no
entanto não cruzam o firmamento,
Com aquele
falso espectro de luz.
Onde foram
parar aqueles vaga-lumes?
Que grande
escuridão fica na alma,
Iluminada
apenas pelas luzes amarelas desses postes,
Ou do
fluorescente neon dos letreiros que nos convidam ao consumismo,
A vender
nossas almas para alimentar a libido do doce capitalismo.
O que sobra
são luzes vermelhas das casas,
Luzes de
sangue que brotam dos corações feridos,
Pela
saudade daquele tempo que ficou para trás,
Junto com
a nossa inocência,
Junto com
os vaga-lumes que não vemos mais......
quinta-feira, 16 de março de 2017
Mitra e Jano - Milenar Círculo Vicioso - Hudson Alexande
Mitra:Após um longo inverno,Cúmplice de uma escuridão implacável,Surge o Sol Invictus venerado desde os mais remotos espíritos.Mitra ocupará o coração que deveria ser dedicado ao verdadeiro rei.Mas a alegria de sua luz festiva,Compensa a profanação em nome da boa união familiar e,Do espírito de indulgência e da caridade.A hipocrisia moral então domina,As casas sinalizadas com azevinhos e as salas enfeitadas com árvores recheadas, Retratadas de reciprocidade egoísta.Como no carnaval,A moral já não importa desde que se focalize a distante figura do menino-deus.Basta que a efêmera felicidade seja a mãe do momento,Acalentando os filhos com leite adulterado e mel venenoso.E que a ilusão venha vestida de bom velhinhoOferecendo o colo em troca de presentes.Que o inanimado rei veja tudo e,Abençoe com sua bruxuleante luzAs nuvens da angústia sopradas na terra de um povo alienado,Que prefere o amargo da verdade primordial, ao doce sabor do excesso carnal.Que nesse dia de dezembroA estrela mágica alegre as mentes profícuas eMantenha cega a visão do que descansa no firmamento.Que tudo seja apenas hilaridade e diversão.Mesmo que a ressaca do novo dia os prepare para outro dia festivoE honrem outro deus, que se surgirá com a morte do velho ano.Jano:Tal novo dia festivoAplaca as dores estampadas em máscaras sorridentesQue escondem a realidade crua das ruas e sarjetasDos grandes e tecnológicos centros.A miséria torna-se uma verdade distante e alheia,Onde não encontra por ora espaço pra diálogos ou polêmicas.Demônios arrogam-se em anjos benfazejos,Que sovinamente diminuem um grão de infortúnio do cotidiano de alguém.Os indultos da indulgência imprudente transformam risos em choro.Mas a vida continua e o luto já não faz sentido.A festa cura-os de seus males como paliativos da dor.O juízo entorpece a razão embriagada,Com os excessos de um único dia dedicado a Jano,Guardião do renascimento do tempo que começa e termina a cada ano,Da vida que se esvai, dia-após-dia.O espírito festivo disfarça uma desumanidade evidente,Mascara uma maldade latente, do laicismo romano.Atos bondosos apelam para o espírito humano,Para que haja conscientização fundamentada,Nas expectativas que serão frustradas,Pelo esquecimento dos votos do velho ano,E pelas ansiedades que não serão apaziguadasPela devoção inconsciente a Jano,Que como sempre se manterá morto a entrada do portão do tempo,Até que seja invocado,Vivo apenas no espírito apóstata de um novo dia que começa a cada ano.Que os fogos de artifícios atendam aos seus ofíciosDe espantar os demônios de cada casa,Á medida que seus adoradores acordem ressacados para a vida real,Para um novo ano, que também será juntado a um circulo vicioso.
quarta-feira, 15 de março de 2017
terça-feira, 14 de março de 2017
Cíclico - Hudson Alexandre
O princípio do homem é muito singelo e ao mesmo tempo
assombroso.
Uma química romântica,
Um encontro apaixonado de gametas que dá início à vida.
É um processo misterioso, complexo,
Que mesmo as mais sábias mentes entre nós se confundem ao
explicar.
Ínfima saga que discorre no livro da vida e determina forma,
Características e personalidade de uma minúscula célula.
Dentro do cronograma pré-estabelecido,
Um ser vivo, inteligente flutua consciente num mar amniótico
de incertezas,
Protegida pelas doces águas de uma redoma,
Uma fortaleza hídrica e delicada,
Como um peixe num aquário escuro
Que se agita tranquilo na ânsia de perpetuar seu lugar.
Mas, há sons externos,
Há algo mais lá fora e que precisa ser explorado.
A luz brilha fora desse aquário.
É preciso mesmo sair?
Alguém dará à luz ao ser ou apenas o irá expor à verdadeira
escuridão?
Uma gigantesca força natural ou uma fenda nas entranhas a
ser suturada,
E a vida sendo expelida, o expulsa de seu abisso mundo.
A luz ofusca ao sair.
Um desconforto e uma dor.
É preciso chorar para começar a viver.
Eis o real ponto de partida!
Nos braços maternos a progênie, um futuro.
Um livro por ser escrito.
Agora começa uma relação normal ou... bizarra.
Relação de amor e ódio,
Proteção e descaso, carinho e indiferença,
De lições e silêncio, de justiça e violência,
De ontem e amanhã.
A saída, ou quem sabe a fuga do lar,
Um novo começo em outro lugar.
O ser busca a si mesmo,
E tenta conhecer-se, afinal, ele veio da escuridão para a
luz.
Ou da luz para a escuridão?
Seu vazio é preenchido de modo a revelar o caráter e sua
origem.
Na busca da resposta encontra seu oposto
E se torna uma instituição.
Então volta ao princípio, ao ponto de partida,
E começa tudo de novo, do mesmo jeito:
Ínfimo, singelo e milagrosamente assombroso!
A Jornada de Jacó - Hudson Alexandre
No ventre de Rebeca
Há uma predestinada nação
Aflitiva é a notícia
Do conflito de irmão
Ao nascer este menino
Ocorre algo de se estranhar
Saiu após o vermelho
Segurando-o pelo calcanhar
Cresceu o infante inocente
Em ardente e materno amor
Tornou-se homem inculpe
Agradou seu Criador
Negociou com o caçador
O seu caldo suculento
Comprou a herança sagrada
Alcançada com intento
Chegou o devido tempo
De a benção receber
Conduziu seu cego pai
Que lhe deu sem o saber
A primogenitura e uma promessa
Nessa vida se cumprirá
Um futuro em glória
Nem a escória impedirá
Fugiu de seu lar
Longe da fúria e do rancor
Na busca de sua vida
Encontrará o seu amor
A caminho de seu destino
Parou para pernoitar
E num sonho maravilhoso
O céu foi avistar
Uma escada interjacente
Entes em passarela angelical
A benção paterna é lembrada
Na promessa celestial
Será sua essa terra
Não antes de beber o fel
Por ora este solo sagrado
Será chamado de Betel
Viagem longa, corpo cansado
Ávido espírito, mente sã
Estranho numa terra
Denominada Harã
Junto a um poço
Nas regiões orientais
O encontro com a mulher
Que não esquecerá jamais
A bela silhueta
Da moça com o véu
Encantadora, idílica
Linda flor, era Raquel
Esqueceu o cansaço
Ao ver a filha de Labão
Rolou do poço a enorme pedra
Com a força do coração
No rosto, o beijo inocente
Que o fez se apaixonar
Fez daquela casa, daquela gente
Sua gente, seu novo lar
Em um mar de emoções
Viveu como uma ilha
Sentiu-se ludibriado
No seio dessa família
Naquele tempo difícil
Chegou sem ter nada
Quatorze anos de trabalho
Casou-se com sua amada
Jeová é Deus de verdade
De sua promessa tinha ciência
Tornou fértil o estrangeiro
Dando-lhe a sua descendência
Trabalhou duro, com afinco
Impressionante sua destreza
Aprovado por seu Deus
Aumentou sua riqueza
Recebeu a ordem divina
‘Volta para teus pais’
E para este país
Não voltou nunca mais
Deixou p’ra trás o sírio
Avançou com muito afã
Seguiu a longa jornada
O caminho de volta à Canaã
Sob a proteção das estrelas
Com Edom foi se encontrar
A cisma do vermelho
O presente vai aplacar
Engalfinhou-se com um anjo
No lugar de Peniel
Com a coxa deslocada
O nome agora é Israel
Tragédias em sua vida
Antes de Betel, em Siquém
Tristeza, uma dor profunda
Seu amor sepultado em Belém
Foi para Hébron
Onde o consolo se esvai
Enterrou na sua angústia
Seu amado e idoso pai
Tribulação entre os doze filhos
Como se havia predito
Sofrimento e desespero
O conduziram ao Egito
Distante de sua promessa
Nas mãos de um Faraó
Adormece o precioso
O contencioso Jacó
Foi enterrado em Canaã
A terra que mana leite e mel
Ali residirão seus filhos
Sua vasta prole Israel
segunda-feira, 13 de março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
8 da Manhã - Hudson Alexandre
A lua minguante
Passa despercebida nessa manhã de setembro
Apagada, quase invisível,
Sobre a abóbada de um templo local,
Apesar de extasiante beleza
Pássaros pousam nos telhados
Transportam-se de árvore em árvore
Pulam na grama do canteiro
Em busca de comida
De sobrevida
Pessoas caminham
Em várias direções
Passos sérios
Com suas faces por terra
Como se esse dia de sol
Pesasse sobre os ombros
E os prostrasse diante do medo da vida
Os vira-latas estão no cio
E marcam território
Como caudilhos sedentos
Por terra, espaço e poder
São 8 horas da manhã
É como se o dia terminasse
Sem ter começado
Histórico de Amor (do Sagrado ao Profano) - Hudson Alexandre
Amor...
Profano, agitado como a fúria do mar
Assim era o amor de Heloise e Abelard
Maldito coração, em pura ambição
Como o traiçoeiro amor de Dalila por Sansão
Tão perseguido se fez que morreu
Triste amor de Julieta e Romeu
Forte, frustrado no peito alto grita
Amor ilusão, de Salomão pela sulamita
Que aparência não se vê, desconsidera
Alma fera de uma bela, alma bela de uma fera
Carrega nas costas o mundo e a emoção
Quasímodo e Esmeralda, apaixonada decepção
Soberano, egoísta, sonho em demônio
Amor político entre Cleópatra e Marco Antonio
Sublime realeza, abnegado como se quer
Amor resgate, real de Assuero e Ester
Levado pelo vento, como se o tempo consumisse
Saudade e reecontro de Penélope e Ulisses
Cobiçoso, forte paixão como nunca vi
Amargo tropeço de Bate-Seba e Davi
Nas mil e uma noites, suspeito coração
Sherazade, com coragem, conquistou o sultão
Sagrado, amor que Deus aprovara
Relação de fé entre Abraão e Sara
Ciumento, suspeitoso, vil e nada belo
Lá se vai Desdêmona, grande amor de Otelo
Forçado, precipitado, em fel alguém há de amargar
Siquém, desonra furtivo a inocência imprudente de Diná
Shakesperiano, lendário, sem confete
Ser ou não ser, Ofélia doce drama de Hamlet
Libido incestuoso e proibido para se amar
Toque impróprio para Judá e sua nora Tamar
Violento, obcecado, odioso e nada bom
Como o da outra Tamar com seu irmão Amnon
Longânimo, doce, saboroso como o mel
Intempestiva espera de Jacó por sua Raquel
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