Leh Rodrigues

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A Mente - Hudson Alexandre

 



Que mente é essa que guia por caminhos obscuros,

Como um cicerone de uma terra inóspita?

Que conduz por depressões remotas,

Escondidas em algum lugar desconhecido da razão?

Levando à profundidade das cavernas,

Por túneis e labirintos da natureza decaída,

Onde a luz não alcança e,

Onde o medo nunca se cansa de assombrar o coração néscio.

Das profundezas sopram ventos tempestuosos.

O odor da escuridão invade os sentidos como cheiro de morte.

Os becos infinitos dessa mente demente

São como os grilhões nos pés de um escravo que insiste na liberdade.

Há um louco que delira na sua sanidade discreta,

Na tolice de seu torpe frenesi.

A flor dessa profundeza traz à superfície

A sensação de um toque suave da libido.

Essa sensação que cobre com volúpia,

Uma sombra sensual de um dia escaldante.

Um turbilhão de palavras e imagens desordenadas,

Passam pela tela dessa mente como filme surrealista.

Nesse terreno de morbidez,

Nascem as expressões da alma que chamamos de poesia.

Palavras puras que nascem como flores campestres no aterro humano.

Que mente essa que não esboça um sonho bonito,

Que não faz entrar no paraíso,

No paraíso particular do insano,

Onde se possa ver luzes e cores sem alucinações....

 

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