Leh Rodrigues

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Águas Da Volúpia - Hudson Alexandre

 

Por que, a geometria da Vênus entorpece?

Por que o delta da libido é tão sinuoso?

Por que as entranhas se rendem facilmente

Às curvas da volúpia em terreno perigoso?

 

Tão longe do alcance,

Estão as fontes e cisternas alheias

Parecem ter águas mais doces

Que águas puras que brotam na areia

 

Bebam no copo doce das gurias

Durante os dias da infame guerra íntima

Que se vitima no sumo da mítica maçã

Com uma só gota do suco das cortesãs

 

O prazer da correnteza

Neste delta em perfeição

É a delicia de um algar rosado

Perfume delicado que trai o coração


Há luz no livro dos cânticos

E fogo nos lábios do sagrado vulgar

Há perdição no véu do instinto

Que transforma mel em absinto a amargar

 

Abismos, precipícios e voragens

Florestas, oásis e sumidouros

Os perigos dos homens são delícias

Uma dor sem amor que vale ouro

 

A delicada silhueta levas às trevas

Aquele que assevera que o esboço é divino

O menino se perde no ser homem

E o homem se encontra em ser menino

 

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