Os sinos
dobram ao meio-dia,
O som vem
da catedral das luzes,
Que nunca brilham
essa escuridão injusta.
Pequenas e
tímidas flores vencem o asfalto,
Que de
assalto vence minha indiferença.
Vitrines refletem
os meus olhos,
E a luz
dos meus olhos refletem a verdade no meu corpo.
Minha
mente é fria, mas minha alma queima como fogo.
Vejo pelos
espelhos os meus passos cansados de tanto pensar,
De tanto
passar por lugares e olhos alheios aos meus,
Quero ter
poder sobre meus passos,
Ter força
para vencer a mim mesmo.
Os sinos
alertam-me para uma novo tempo,
Um momento
a qual não pertenço,
Onde os
sinais são apenas de lembranças de um tempo de a muito.
Assim como
aquelas pequenas flores vencem o piche quente,
Eu sigo
nesse calor de meio-dia.
Os sinos
da catedral são avisos de que o meu dia está a caminho da noite.
Sinto a
sombra das pessoas,
A me olhar
com a indiferença de um cão que olha para o nada.
Criaturas
saem da galeria a procura de comida,
Em busca
da vida,
Impõem sua
asquerosa existência aos transeuntes que torcem o nariz,
Como se o
mundo subterrâneo não fosse presente em suas vidas fúteis,
Em suas
mentes inúteis.
Agua suja
desce o meio-fio levando a subsistência aos seres abjetos do esgoto.
Os sinos
tocam e me traz de volta o sentido.
Gosto da
minha imagem refletida nas vitrines das lojas.
A vaidade
me sorri acariciando meu ego machucado.
Vejo olhos
famintos de lobos velhos mirando presas incautas e desatentas.
Carne
fresca a ser consumidas com os dentes da perversidade.
Crianças
caminham de mãos dadas com a arrogância,
Sendo
conduzidas ao reduto do tempo perdido.
Na praça o
dorso opaco estático da proeminência local,
Enfrenta
um obelisco,
Pouso de
aves vadias e perdidas no aflorado instinto de busca pela sobrevivência.
Almas que
migram da ilusão para o real,
Que
mutilam a moral em nome da subsistência.
Comem no
chão as migalhas da dignidade de alguém,
Que passou
despreocupadamente pela praça da agonia,
Tão fria e
voraz quanto um beco escuro e abandonado.

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