Às
vezes enxergamos os rios
Maiores
que nossas pontes
E deixamos
secar de vez o fio
De
água de nossas fontes
Quem
hoje morre afogado
Amanhã
morrerá de sede
A
justiça chove no molhado
E
o sol descolore seu verde
Quanto
mais água
Maior
é a seca
Muito
mais mágoa
E
cerca no verão
Muito
mais seca no coração
Quem
soprou as nuvens?
Que
vento quebrou a corrente
Do
ciclo: sol, rio, gente
Céu,
esperança e mar?
Que
terra é essa toda rachada?
Pra
onde foi o lago da minha infância?
E
esse mundo de água salgada
Não
basta para afogar a nossa ganância?
Que
um só dedo de água
Já
baste pra gente engolir
E
se torne tanta
Que
faça nossa garganta explodir
Enchente
enxurrada
No
meio-fio escoa pelo chão
Na
seca é mágoa
Saindo
pelo ladrão

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