Leh Rodrigues

domingo, 7 de janeiro de 2018

Efeito Escorpião - Hudson Alexandre


                                               

Vivo no escuro
No entulho da escura solidão
Peçonha em seta pontiaguda
Flecha desnuda entorpece a mão

Do veneno flui a dor
Do fogo a ira, o calor
No meu ódio as chamas
São mais humanas
Que meu letal golpe de horror

Neste úmido habitat
Fui feito escorpião
Não ataco em defesa
Eu pego de surpresa
Qualquer incauto cidadão

Meus verbos letais
Geram ais
Na voz da arrogância
Pico a mão da honra
E fico rindo à distância

Envenenei a verdade
De toda boa reputação
Sujo a honra de um nome
Ao machucar o coração

Sem pudor nem remorso
Nas lágrimas da ansiedade
Não sou feliz, mas sou juiz
Pra decretar a infelicidade

Por não ler o meu íntimo
Não vê minha emoção
Finjo-me de bom amigo
No abrigo  da boa ação

Ameaça-se a descoberta
Na luz da exposição
Prefiro a morte ao idílio
Aperto a gatilho
Em efeito escorpião





A Sombra e o Silêncio - Hudson Alexandre







 

Quando o som
Iluminar nossas vidas
O sol entoa então
Sua canção mais antiga

Quando o sal
Tempera nossa palavra
A voz embarga
O coração quando fala

Sendo assim
A sombra e o silêncio
Traz alívio
Para um peito ferido


Nada Pior - Hudson Alexandre

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Entre Dores e Flores - Hudson Alexandre

Delírio no Outro Lado do Éden - Hudson Alexandre




Da minha essência fiz nascer o sol
E um brilho de arrebol nos olhos seus
Te dei o paraíso, a perfeição e coração.
Te dei tudo menos o que era meu

Quatro rios que corriam
Saciavam a sede do seu lar
Á noite te ofertava a lua,
Era sua em cada luar

As estrelas ante sua beleza
Se curvaram como damas de companhia
As flores aspiravam sua pele
Fosse o dia sua noite ou a noite o seu dia

Das fontes do delta até o umbigo
Seu corpo vesti de pureza
O céu te dei como abrigo,
Há cada manhã haveria uma certeza

No jardim da vida
Tudo era festa de existência
No meio da obra de um Deus Rei
Havia a tentação da ciência

O belo se conformava a sua silhueta
Por todo o lado o paraíso
Em cada canto, havia um canto
Que encantava seu sorriso

As cores primárias a sua volta
Eram verdes, azul e amarela
Seus olhos, cabelos e tez
Eram parte dessa aquarela

Te dei as riquezas da minha alma
Te dei o infinito e todo ouro de Ofir,
Cantei versos de poesia  
E nem assim quis me ouvir

Então um sussurro de serpente
Que de tão atraente tomou conta do ar
Deslizando pela árvore da vida
Te prometeu o que não pude dar

Tanto a descobrir,
Tanto para desejar
Essa sombra te fez ver
O que ninguém podia enxergar

Então o doce se fez amargar
Teus olhos seduzidos se apagaram,
Como uma folha da árvore da vida
Caída no outono, seus sonhos secaram

E no leste da entrada,
Há poder de querubim
Uma espada chamejando
Te libertou do meu jardim

Espinho é o que te resta
Nesse vale de abrolhos.
Onde o amor mais puro
Já não contempla os seus olhos  

O doce fruto de sua ambição
Desceu pela minha garganta como absinto
Agora eu sinto do meu infinito
Tua eterna ausência


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Natureza Humana - Hudson Alexandre



                           
                                                   
O homem nasce doente
Demente, vida insana
Inclinação decaída
Da natureza humana

No início, a ganância
Ânsia de independência
Desejo descomedido
Sedução, desobediência

Depois o ciúme
A cólera do insensato
Nefando fratricídio
Primeiro assassinato

Daí por diante
Piora a situação
Angústia, tristeza, dor
Desespero e aflição

Futuro, decadência
Total desesperança
Justiça se oculta
E o mal vira festança

O vírus da corrupção
A doença inicial
Moderna sociedade
Doente terminal

Deste estado patogênico
O alto há de nos curar
Do céu vem o remédio
Para nos purificar

A cura desce hoje
É do Monte que emana
Aperfeiçoando para sempre
A natureza humana