Leh Rodrigues

sábado, 13 de abril de 2019

Pra Não Esquecer A Liberdade - Hudson Alexandre


Pra Não Esquecer a Liberdade - Hudson Alexandre  

Sentei à beira de um rio
Senti um vazio
Orei pra você

Indaguei
Porque não entendi
Tanta coisa que vi
E não concordei

Te abri o meu coração
Se ser livre é pecado
Peço perdão

A arrogância
Estendeu sua mão
Com apelos de ordem
De organização

Homem que domina
Homem no poder
Diz que o preço da paz
É se submeter

Homem que domina
Homem faz sofrer
União sem liberdade
É que faz subverter

Viver sem liberdade
É pior do que morrer

Me ensinou
Que a liberdade
Traz felicidade
E alento ao coração

Aí vem alguém
Cheio de vaidade
E diz que a verdade impõe
Cega submissão

Até a flor vinga
Na resistência
E o asfalto liberta
Um broto no chão

Usa de língua macia
Só vê rebeldia
Na justa argumentação


domingo, 18 de novembro de 2018

Desculpe-me - Hudson Alexandre





Desculpe-me – Hudson Alexandre  

Desculpe-me a injustiça
Minha indignação.
Desculpe-me a suscetibilidade
Minha força de expressão.

Desculpe-me o melindre
A verdade da minha emoção.
Desculpe-me a mediocridade
A inteligência da minha argumentação.

Desculpe-me a autoridade
A minha justa reação.
Desculpe-me a falsidade
O dolo no meu coração.

Desculpe-me o perfeccionismo
Minha falta de perfeição.
Desculpe-me a ambiguidade,
Se minha sinceridade não vira canção.

Desculpe-me a alegria,
Se choro ao invés de sorrir.
Desculpe-me a tristeza,
Se me levanto ao invés de dormir 

Desculpe-me a humildade
Se dorme em mim a altivez
Desculpe-me a indiferença
Que mais parece uma surdez.

Desculpe-me a sensatez
O meu senso sem razão.
Desculpe-me a lucidez,
A loucura no meu coração.

Desculpe-me o despeito
Se não respeito certo abraçar.
Desculpe-me a amizade
Se a falsidade tenta se disfarçar

Desculpe-me a liberdade
Sem a força da restrição
Desculpe-me a verdade
Se a mentira é invenção

Desculpe-me as desculpas
A indulgência da remissão.
Desculpe-me tantas culpas,
Onde desculpa não é perdão






quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Rosa Viva - Hudson Alexandre






Um alísio me envolve
Como um tornado medonho
Me levanta de assalto
E caio no asfalto como corpo em sonho

Dissolve meu juízo
Julgado insano em foro íntimo
Me deixa entregue, nonsense
Pobre sonhador: culpado ou inocente?

Pétalas em lágrimas se derramam sobre mim
Infinita fragrância decretando meu fim
No vestígio do tempo o solo me remove
O jardim no meu corpo aos poucos se dissolve

Sopra um nome em meu ouvido
Não duvido dessa flor
A brisa abre meu caminho,
Seu perfume seda a dor

Sopra a brisa feito milagre
Eu do vinho fiz vinagre
Mas um sonho lindo adorna a fé
Rosa viva no caminho me põe de pé