"Sou apenas alguém comum que se atreveu a expressar espontaneamente o que vai na alma" Hudson Alexandre Rodrigues
Leh Rodrigues
sábado, 3 de junho de 2017
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Diego e Ana - Hudson Alexandre
Na escola, da amizade
Sempre nasce uma flor
Entre livros e amigos
A cumplicidade tem
A idade do amor
Quem sabe quanto tempo
Leva para crescer?
É um segredo que se abre
Ao longo dos anos
Sem enganos no sofrer
Mais que amor platônico
Bem mais que simples sonho
Sem medo, puro e sem pecado
Razão reclama
O amor não engana
Paixão que chama
Diego e Ana
O encontro duas vidas
E uma busca espiritual
Entre risos e olhares
Tão inocentes
Há sementes de um grande amor
Quem sabe quanto tempo
Se pode durar?
Há um segredo que se abre
Ao longo dos anos
E cada ano irá eternizar
Maior que a primavera
Bem maior que a longa espera
Diego, o amor e Ana
sábado, 20 de maio de 2017
Só Uma Rua Num Dia de Chuva - Hudson Alexandre
A
chuva fina cai calma e contínua
Uma
mulher velha anda de cabeça baixa
Na
mão a sacola de compra
Com
o peso de sua angústia
Anda
no meio da rua
Dona
do seu lugar.
Vem
um bêbado
Tropeçando
no meio-fio
Equilibrando-se
Na
fragilidade das trêmulas pernas
Come
seu pão molhado
E
enrugado com ar de miséria.
Dentro
do carro o pára-brisa
Está
embaçado
Mesmo
assim
Tenho
uma visão clara desse mundo
Do
qual não pertenço.
No
rádio um som de protesto
Uma
voz negra
Enche
meus ouvidos
E
cala no coração.
Lá
fora o tempo é frio
O
peito queima, há um calor nos olhos
O
suor corre pelo meu corpo
Num
contraste estranho.
Um
sábado no meio
No
bar há um homem vazio,
Com seu copo cheio,
À
espera da mulher vaidosa
De
uma hora vaidosa no cabeleireiro.
Morre
primeiro o pensamento
Renasce
uma palavra
Retorna
a visão daquela rua
Que
se movimenta diante
Dos
meus olhos ardentes.
Agora,
moças deselegantes
Passam
sem parar
Contando
suas vantagens juvenis
Embaixo
do guarda-chuva
Como
se isso
Fosse
tudo o que há na vida.
Os
carros passam
Num
silêncio mórbido
Pelas
ruas incertas
Dessa
pequena cidade incerta
Sem
se preocupar
Com
a passagem do tempo
Sem
pensar na hora certa.
O
pai traz sua filhinha no colo
Protegida
pelos seus braços cansados
Como
se ali o amanhã
Estivesse
garantido
Como
se a chuva
Não
molhasse sua esperança
Um
olhar embriagado
Fita-me
de dentro do bar
Como
se questionasse
A
minha existência naquele lugar.
Minha
própria imagem no retrovisor
Questiona
minha existência
Em
qualquer lugar.
As
casas dessa rua
Não
são imóveis;
Deterioram-se
em seu ambiente
Na
passagem lenta do tempo;
Uma
falsa sensação de segurança
Ocupa
seus cômodos,
Pois
em algum lugar
Todo
dia cai uma fortaleza.
É
uma chuva fina, calma, mas contínua
A
espera é longa
A
vaidade é complexa
A
mente é complexa e viaja,
Pelas
dimensões dessa rua estreita,
Encharcada
com as lágrimas do céu,
Desse
povo brejeiro, que se alimenta,
De
um cigarro,
E um
copo de cerveja gelada.
Uma
mulher trás consigo uma criança,
Vem
resgatar o seu amor do fogo,
Perdido
no bar,
Entre
brumas tóxicas.
Então
outra canção,
Invade
os meus ouvidos,
A
boa e velha canção rock n’ roll
Estranha
nesse reduto
De
música caipira.
Os
carros silenciosos não param
Como
se o dia não tivesse fim,
Pessoas,
guarda-chuvas, vão e vem,
Como
se a chuva não terminasse nunca
Como
se a vida não
tivesse fim
Como
se espera não fosse tão ruim.
Uma
criança atravessa a rua correndo,
Em
direção ao bar;
Um
misto de medo e ansiedade
Como
se o seu futuro,
Não
fosse alcançado,
Correndo
em busca do pai,
Que
volta para o bar.
Vai
perpetuar tal conduta
No
gene de sua geração;
Um
cigarro,
E um
copo de cerveja gelada.
Na
porta sua futura esposa,
Á
espera de seu amor,
Dividido
entre presente e passado;
No
fundo do copo;
Morto
o seu futuro.
Do
corpo entorpecido,
Descarrega
o resíduo de sua miséria
Em
algum muro dessa rua
Já
molhada.
Vai
levar o cheiro,
Para
sua cama,
E
aquela que o ama vai chorar,
Como
chora o céu sobre essa rua,
Uma
chuva fina, calma, mas contínua.
Na
vitrine de uma loja
A
ilusão de um rosto bonito
Vendendo
beleza
Um
casal de namorado,
Andam
abraçados
Na
espera de um dia de sol
Como
se a paixão
Não
apagasse em tempo ruim.
Um
ciclista passa despreocupado,
Como
se não chovesse,
Como
se a luz do sol
Fosse
aparecer a qualquer momento.
Equilibra-se
nas rodas da modéstia,
Debaixo
dessa rua molhada
Encharcada
pela pretensão
Do
meu olhar.
A
porta do carro se abre
Um rosto
vaidoso
Num
cabelo de luz,
Ilumina
o interior;
Dou
partida e sigo,
Entre
os carros silenciosos,
Deixando
tudo para trás:
A
cidade, aquela gente brejeira.
Era
só uma rua,
Num
dia de chuva, fina, calma, mas contínua....
domingo, 14 de maio de 2017
terça-feira, 2 de maio de 2017
Um Mundo Normal - Hudson Alexandre
O
mundo anda tão normal
Covil
de chacal
Inimigo
da paz
Desafiou
os mistérios do céu
Agora
réu seria
Na
ilha da agonia
Alimentou
o cult underground
Não é
tão mal
A
falsa liberdade
Caiu
já no primeiro round
Com
a cara no chão
Na
lama da imoralidade
Quer
provar o quê
Com
suas experiências?
Não
tem ciência sua religião
Por
que anda na contra cultura
Por
quê ser tão linha dura
Com
nosso coração?
Suas
guerras, suas paixões
Seus
aviões, seu nariz empinado
Seus
povos, campos da vergonha
Marcas
de coronha e
Bancos
esfomeados
Seus
cromossomos
Não
determinam
Como
somos no íntimo
Fragmentos
de átomos
Em
qualquer canto
Nesse
universo ínfimo
O
mundo anda tão normal
E
sem background
Para
seguir seu curso
Com
os próprios pés
Anda
em viés
Como
uma agulha
Na
veia de um viciado
Sem
fé
A
moda de suas meninas
Sorrisos
e umbigos
E um
tolo ambíguo
Em
cada esquina
Um
disparo do cano frio
Sob
a luz do farol
Como
se o sol
Perfurasse
o coração
De
uma vítima
O
mundo anda tão normal
Há
excesso de sal
Na
mídia amoral
Um
café na padaria
Quanto
me daria
Por
uma vida?
Um
carro retorcido
Marcas
em relevo
Num
corpo perdido
Sua
cabeça cheia
De
ódio e de ópio
Heroína
sem façanha
Que barganha
Teu
lixo na entranha
Da
estranha sociedade
Do
terceiro mundo
Tantos
feitos
E
tantos despeitos
Nesse
peito vazio
Nas
águas podres
Do
seu rio
De
interesses escusos
Que
de tão absurdos
Torna-te
nas páginas de jornal
Apenas
um mundo normal
Um Tom Acima - Hudson Alexandre
Ele
flertava com a morte
Tão
imortal se sentia
Amiga
que amarga a sorte
Num anormal
senso de euforia
Ele
cantava a vida
Um
tom acima
Beijava-a
com ternura
Como
se fosse uma menina
Um
tom desigual
Desafinado
em desalinho
Sonhava
por becos escuros
Perdido
no próprio caminho
Chora
noites de chuva
Em
dias de seca
A
jornada nunca é suave
Não
é pego de surpresa
Sempre
levou a vida
Como
menino
Que
sonha sempre acordado
Enquanto
não vem o domingo
Está
sempre cantando
Acordado,
mas sempre sonhando
Com
um novo dia
Que
nunca vem
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