"Sou apenas alguém comum que se atreveu a expressar espontaneamente o que vai na alma" Hudson Alexandre Rodrigues
Leh Rodrigues
domingo, 23 de julho de 2017
sábado, 24 de junho de 2017
Tanto e Tão Pouco - Hudson Alexandre
Há
pouca terra pra tanta cerca
Muita
seca pra pouca água
Pouca
riqueza pra tanta ganância
Pouco
estômago e muita mágoa
Pouca
vida e tantos sonhos
Muitos
corações e pouco sentimento
Muita
cama e pouco sono
Mais
cabeça que pensamento
Muita
fantasia pra pouco carnaval
Muita
máxima e pouca poesia
Muitos
lábios, pouco sorriso
Muito
riso e pouca alegria
Há
muita boca pra pouco alimento
Pouca
roupa para tantos corpos
Tanta
língua, pouca verdade
Tanta
tempestade pra poucos copos
Tanta
ciência tão pouca consciência
Poucas
sepulturas pra tanta podridão
Muita
devoção, pouca santidade
Pouca
sinceridade e muita religião
Pouco
favor muita reclamação
Pouco
amor e muita ingratidão
Muita
acorde, pouca melodia
Pouco
dia pra muita escuridão
Muitas
pontes e poucos rios
Tanta
lógica e pouco nexo
Pouco
esforço, muito poder
Pouca
libido e muito sexo
Muito
passado pra pouco presente
Muito
muro e pouca visão
Pouco
agora pra muito futuro
Muito
juro pouca compaixão
Muita
favela pra pouca mansão
Tantos
olhos tão pouca atenção
Muitos
carros, pouca gasolina
Pouca
mina pra tanta exploração
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Fantasmas - Hudson Alexandre
Tantos
fantasmas assombram a vida
Mas
não preciso de ansiolíticos
Me
bastam apenas um pensamento bíblico
Ou
um folk do Dylan
Preciso
de uma saída
Não
uma fuga num prato de comida
Apenas
um sorriso de um olhar amigo
Nada
mais que a sombra de uma árvore
E
a brisa suave que sopra doce em minha face
Constrangida
pelo calor desse sol acima
Preciso
apenas de uma gota de vida
Nuvens
e chuva, relâmpagos e trovões,
Onde
foi parar o arco-íris?
Não
quero ficar entorpecido com artifícios,
Quero
apenas o beijo do amor nos meus lábios
Quero
brilho nos olhos de quem amo
Não
quero a neurose louca da razão
Ou
o descontrole demente dos que se acham sãos
Quero
me agarrar à vida
Assim
como uma folha se apega ao ramo
Em
busca da seiva de uma esperança viva
Quero
que correnteza de sentimentos bons
Fluam
em forma de letras e acordes do meu coração
Não
quero ser astro, nem estrela
Quero
apenas vomitar das minhas entranhas
Toda
a ânsia em forma de poema ou canção.
Expiação - Hudson Alexandre
Uma vida inteira de perdão,
Não será suficiente para apagar
seus pecados.
Um oceano inteiro de misericórdia,
Não encobrirá sua culpa.
Um universo imenso de
indulgências,
Jamais irá expiar o peso da sua
consciência.
Seus pés caminham sobre plumas de
chumbo.
Tem um lobo tatuado na alma
E a sombra de uma ovelha no
coração.
Com as asas do devaneio,
Seus olhos percorrem com volúpia
Os deltas entre os dois pilares
nus de edifícios sedutores.
Esperando que cachoeiras gozem sem
parar
Numa queda livre de águas em
tormento.
Esperando que olhos pagãos te
queimem
Com a febre do verão em picos
gêmeos e montes simétricos.
Imagens deturpadas se formam no
horizonte da sua mente perturbada.
Ele se esconde em cavernas escuras
em algum recôndito de sua mente.
Levita nas profundidades de um mar
lamacento
Que o impede de emergir à
superfície em busca ar
Então se lembra do dito
proverbial:
"Bebe água da tua própria
cisterna"
E sente a sombra da expiação sobre
sua alma
Anda pela vida como os cães
errantes da cidade
Caminha sobre um rio de sangue
Suas pegadas vão ficando impressas
no tempo
Nunca foi capaz de guiar um cego
por um caminho de luz
Vermes inquietantes da escuridão
corrompem suas entranhas
Voa ser alado, para algum lugar do
passado,
Resgata as indulgências dessa alma
perdida....
Eu Choro - Hudson Alexandre
Eu
choro...
Os
heróis e pensadores
Que
sucumbiram ás mãos do tempo
As
escaras que brotam no divã
Dos
intelectuais do vento.
A
patologia latente
De
uma mente poderosa
O
gemido doente
De
uma dor escandalosa
As
lágrimas que caem lentas
Nos
olhos da inanição
Os
trilhos por onde caminham
Os
caudilhos de uma nação
Eu
choro....
Cada
folha derrubada em vão
No
chão seco do medo varonil
O
fogo que se alastra rente
E
nos guizos da serpente seduziu
O
eco perdido nas cordilheiras
O
grito surdo da comiseração
A
inércia da misericórdia
Nos
direitos torpes da corrupção
A seca da intolerância que mata
A
seiva na língua reprimida
A
fonte estéril que seca a luz
E
reduz a esperança de uma vida
Eu
choro....
Os
sonhos perdidos
Na
enxurrada de avenidas,
O
plasma exaurido na luxúria
Dos
becos escuros e sem saída.
O
céu que chora plangente
Toda
sua demente frustração
O
escravo cego do preconceito cego
Cegueira
da mente, alma e coração
A
reverência mística
Á
sombra de uma árvore,
A
fúria de um deus ciumento
E
o tempo cavalgando nas asas de uma nave
Eu
choro...
A
impotência opressora dos fracos,
E
o naufrágio dos barcos errantes
Os
filhos do psicotrópico
E
o trópico de câncer
A
distante ilha solitária
Em
meio a um mar de confusão
O
sol de sangue que se nasce
No
ocaso do Japão
A
fumaça que sufoca, a morte
O
chicote que lambe com açoite
A
mulher que chora calada
Na
calada da noite
Marionetes e Fantoches - Hudson Alexandre
Eles vivem em um cenário
surrealista.
Um teatro a céu aberto, onde
sustentam-se máscaras como em um baile de Veneza.
Onde a falsa beleza impera nas
vitrines coloridas da vaidade.
Onde roubam a inocência das almas
desarmadas.
É um cenário onde não há mais
idealismos reais e onde os discursos de igualdade não saem realmente do
coração.
Um teatro de fantasias e ilusões
se apresentam a eles, uma plateia anestesiada, extasiada, entorpecida pelo ópio
das expectativas que nunca alcançam.
Esse é o mundo deles.
Esse é o mundo, que molda o ser, a
partir do fio umbilical, da palmada arbitrária que faz entrar pelas entranhas o
primeiro sopro de ar, o primeiro choro, que dá início a vida.
Doravante, teorias e práticas,
verdades e mentiras, vícios e virtudes se ocuparão deles, formando a sua
humanidade.
Nas suas instituições serão
doutrinados para o bem coletivo.
Ouvirão discursos sobre liberdade
e outros clichés que darão sentido a sua jornada.
Em alguns lugares, muitos não terão
esse privilégio, pois não haverá sequer comida para a formação biológica.
Quanto mais demagogias de formação
de caráter social.
Eles têm bons professores que
patinam em meio a esse círculo vicioso de ideias e inovações. Mas eles mesmos
não passam de vítimas do sistema.
É um mundo em que marionetes e
fantoches governam, sob o cetro de príncipes covardes que vivem escondidos nas
cavernas do imaginário secular.
São como serpentes do deserto,
camuflados, esperando o momento do bote.
Eles vivem em um cenário de belos
arranha-céus mundo afora, disputando entre si a proeminência dos gananciosos e
soberbos.
Um mundo onde a burguesia,
religião e política vivem um ménage.
Embora seja uma relação estéril na
terra da justiça, produzem filhos corruptos no solo da maldade.
É um mundo onde a globalização
leva a realidade pela mídia, mas estão todos entorpecidos no seu mundo
particular para fazer mais do que chorar as desgraças mundo afora.
A indiferença seca suas lágrimas e
voltam ao leito, como se fosse um divã da consciência.
Todo o seu desenvolvimento humano
é creditado a uma teoria de seleção natural e explosão espontânea, como se
criação e criador fossem a mesma coisa, ao mesmo tempo do outro lado o caos
espontâneo impera em solo sagrado.
Eles labutam na esperança de um
futuro melhor para sua prole. Eles morrem aos montes, como moscas ingerindo
pesticidas, e ainda assim sentem-se, indestrutíveis, como se fossem imortais.
Sobrevivem de filosofias de autoconhecimento, se alimentam da luxúria, da carne
podre da sua cultura de vanguarda.
Há um cheiro podre no ar, há um
cheiro de enxofre vindo do mar...
terça-feira, 13 de junho de 2017
Um Céu Que Chora - Hudson Alexandre
As horas já estavam correndo
O tempo era absoluto,
Parecendo um velocista olímpico.
A ansiedade turbinava a mente
E a chuva caia forte e
displicente,
Como se não houvesse mais nada
abaixo de si.
Na superfície nada fazia sentido,
Mesmo assim,
Sonhos se iam com a enxurrada
transbordante.
Todos se escondem embaixo de
marquises
Ou se aventuram sob as árvores das
ruas.
Relâmpagos e trovões são
prenúncios
De que o céu chora por nós.
E essa torrente de lágrimas ácidas
respinga em mim ao tocar o chão,
Eu me esquivo,
E não entendo o porquê do meu
gesto,
Essa água não faz mais
Do que expiar toda a sujeira do
meu corpo,
Todos os resíduos da minha alma
contaminada
Pelos fluxos de minhas entranhas.
Todos se afugentam buscando alguma
proteção dessa expiação celestial.
Mesmo sendo tão necessária,
Queria que fosse embora e desse
lugar ao aconchegante sol de maio.
Aquele que me aquecia nas frescas tardes
de outono.
Ela vai passar, ela está passando,
Ouço os últimos ecos dos trovões.
Ainda percebo os reflexos da
glória celestial riscando o firmamento,
Em busca do chão...
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